sexta-feira, 3 de junho de 2016
segunda-feira, 2 de maio de 2016
O batizado da bruxinha
A cozinheira perdeu o marido e tinha uma filha de oito anos para criar. Pediu que aceitássemos a menina como dependente. No primeira domingo em nossa casa, a tarde era chuvosa e triste como num conto de Dickens. Ela começou a chorar na orfandade recente. Não sabíamos o que fazer para consolar a garota.
O pai dormira após o almoço e, ao acordar, fez o que mais gostava de fazer: tomou providências. Amenina tinha como único brinquedo uma bruxinha de pano, desengonçada e triste como ela. O pai perguntou se a bruxinha já tinha sido batizada. Não. Era pagã, como todas as bruxinhas.
Botou então agente para cortar o papel fino colorido e fez fileiras de bandeirinhas de festa junina, com elas enfeitou as salas de visita e de jantar. Foi na dispensa, apanhou uma lata de goiabada em tabletes e pulverizou neles uma mistura de canela e açúcar cristalizado. Fez pequeninas rodelas de papelão de diversas cores, passou-as num palito, espetando-o naquilo que chamou de "magesto canapé de goiabada". Espremeu dúzias de limão, acrescentou um pouco de vinho tinto de garrafão, obtendo uma sangria igualmente majestosa. Ficou uma delícia.
Pegou um vestido preto que minha mãe usara quando perdera uma irmã e adotara luto fechado, mais tarde aliviado, como era de costume na época. Vestido de padre, com o livro encadernado de Eça na mão, fazendo papel de missal, tanto a mãe como a madrinha, meu irmão mais velho como padrinho e eu como sacristão, o pai batizou a bruxinha em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Obrigou o meu irmão a renunciar por ela o Diabo, o Mundo e a carne. Depois deu início à comilança, reforçada à última hora por uma caixa de bombons que ele guardara para nos dar na Páscoa que se aproximava.
De olhos arregalados, a menina parou de chorar e olhava para o pai com espanto maior do que a sua dor.
quarta-feira, 13 de abril de 2016
SEMANA LITERÁRIA
Do dia 4 ao dia 9 de abril, na minha escola, tivemos a semana literária que é um evento que vende livros, recebe cantores e escritores.
No sábado, dia do encerramento, tivemos a oportunidade de ver o show do Rubinho do Vale e, na terça-feira, eu e minha do turma 6º ano A apresentamos poemas de Manoel de Barros. O 6º ano B se apresentou na quinta-feira, com os mesmos textos que a minha turma tinha.
Eu apresentei dois textos: "Teologia do traste", com minha amiga Isabel, e "Garça", sozinha.
Tivemos palestras de alguns escritores dentre eles, o pai de um aluno do 6º ano B.
Outras turmas foram se apresentar na nossa sala e em outras também e também houve apresentações no auditório e na quadra coberta.
Foi muito legal!
Eu agradeço à minha professora de português Maria de Lourdes que dirigiu, a minha professora de matemática Patrícia, que filmou tudo e aos meus colegas, que se apresentaram comigo e que fizeram uma apresentação linda!
terça-feira, 12 de abril de 2016
Tralho de historia
e português
" Lembranças mais antigas eram as de Maria Dias, que cheguei a conhecer. Ela era pequenininha, preta como as asas da graúna, de gestos calmos e voz mansa. Todos diziam que ela era muito, muito velha. Não devia ser tanto assim, naqueles tempos as pessoas assumiam sua velhice muito cedo. Tinha sido escrava, e lamento tanto que não podido compreender, muito menino, o que isso significava pra poder conversar com ela e fazer um monte de perguntas que não fiz. Nem ela, aos meus avós, nem aos meus pais.A gente precisa conversar muito com os pais e com os avós, fazer perguntas, ir atrás das respostas.
Quando Maria Dias morreu, eu ainda era muito pequenino e nenhuma das minhas irmãs havia nascido. "
Livro: "Os meninos morenos"
Trecho retirado da pág. 19
Minha historia
Na minha infância, cheguei a conhecer minha tia-avó Hosana, mais conhecida por todos pelo apelido de "Dodida" lembro-me que ela era engraçada, divertida e vivia contando mil historias sempre que a família se reunia. Ela viveu por 73 anos e já faz 2 anos que ela morreu.
Também penso que, enquanto estava viva, deveria ter-lhe feito muitas perguntas relacionadas à história da minha família materna, e ir atrás das respostas.
lembro-me dela com muitas saudades e fico feliz em ter as lembranças na minha memória sobre ela e espero não me esqueçer pelo decorrer da minha vida.
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